Capítulo DOIS - O Caso
- Edifício Le Pu-An-Vale... Como que pronuncia isso, você que é do Direito? - João perguntou ainda de dentro do carro, enquanto ele e Paula, escondidos por de trás do vidro fumê observavam o gigantesco prédio de luxo.
- Le Puy-en-Velay...? É francês, meu bem. Acho que é a cidade natal do dono da construtora. Não lembro. Esse apartamento é um por andar? Gente, olha o tamanho da varanda! Dá pra morar, né?
- Le Puy-en-Velay...? É francês, meu bem. Acho que é a cidade natal do dono da construtora. Não lembro. Esse apartamento é um por andar? Gente, olha o tamanho da varanda! Dá pra morar, né?
- Eu prefiro morar sem dar... Bora lá. Apartamento 600.
Da portaria até a porta de cedro natural, cruzando toda a área comum do prédio, a caminhada foi de um pouco menos de 10 minutos. Dos três elevadores principais, a espera foi breve, mas neste caso, era uma resposta à polícia que circulava pelos arredores daquele palácio comunitário de riqueza material.
- Você tá legal? - Ela notou.
- Tranquilo. É uma antipatia natural. Eu consigo disfarçar se for preciso.
A porta do apartamento estava aberta. E a polícia forense estava lá em peso. Sem contar com os agentes já localizados pelas demais áreas do condomínio. Quase foi difícil achar o inspetor Luz, pleno e calmo, apreciando a vista da varanda. João até que tentou ser sutil. Olhou ao redor, contou quase uma dúzia de policiais. Indagou.
- Quantas crianças que sumiram mesmo?
- E aí, Trincado. Bom te ver, parceiro. Cê tá bem?
- Tranquilo. O Dr. Araripe me chamou, então eu vim. Mas... Só pra olhar. Só pra olhar.
- Bom... A gente já pegou os vídeos de todo o circuito interno e externo do condomínio. Teve uma van que entrou, ficou 10 minutos parada na garagem do subsolo, e saiu sem levar nem deixar ninguém.
- Uma van? E entrou por que? Pra fazer o que?
- Pois é, ninguém sabe. Nem o porteiro sabe. E ele já sumiu, claro. Bateu o ponto ontem no horário certinho, e nunca voltou. Então a gente tem o porteiro sumido, uma van que ninguém sabe de onde veio, nem o que veio fazer, e o circuito interno do hall não filmou ninguém levando a menina. Tudo normal. A babá abre a porta de repente às 15h e pouco, sai correndo e avisa pro porteiro ficar de olho...
- Sei...
- Quando ninguém dá conta de achar a menina, aí avisam os pais. - O inspetor Eduardo Luz continuou seu detalhamento. - Os dois voltam pra casa. Não encontram a filha. Ligam pra polícia. E a menina, nem sinal. Nem bilhete. Nada. Virou vento.
- Sei...
- Quando ninguém dá conta de achar a menina, aí avisam os pais. - O inspetor Eduardo Luz continuou seu detalhamento. - Os dois voltam pra casa. Não encontram a filha. Ligam pra polícia. E a menina, nem sinal. Nem bilhete. Nada. Virou vento.
João olhou os arredores do apartamento. Lá pela sala, sentado perante a TV 8k desligada, a imagem curvada da derrota montada aos ombros de um pai desolado. Mais alguns vinte metros ao final do corredor, uma madame de maquiagem borrada prestando depoimento. Sem dúvidas, são os pais. Quase uma dúzia de homens. Nenhuma testemunha, e nem o menor sinal de sumiço...
- Caralho...
- Caralho...
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