Capítulo QUATRO - Memorabilia
- Se não dá tempo, - Paula indagou. - Então como fizeram o impossível acontecer? - João virou seu rosto para o lado. O casal estava averiguando os cômodos da casa, na improvável chance de ver algo que toda a equipe forense pudesse ter deixado passar. - Esse quarto é uma fofura. Me lembra nosso apartamento. - Disse João enquanto segurava um dos livrinhos infantis da pequena Beatriz. "Matilda" de Roald Dahl. Conseguia até sentir pela luva as marquinhas das páginas de papelão amassadas nas inevitáveis quedas que as crianças dão nas coisas. - Me lembra àquela sensação, lembra? De acordar no fim da tarde com o dom do ventilador, e te ver desenhando na mesa. Nua, claro. Paula o encarou e se recostou de braços cruzados sobre um balcão com alguns outros livrinhos de infância. Ela falava demais em um olhar, mas sabia que só o olhar não seria suficiente. - Eu ainda não acredito que você vendeu nosso apartamento. Sinceramente. - Disse ela. João sorriu. Jogou o livrinho sobre a cama, e...