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Mostrando postagens de julho, 2020

Capítulo DEZ - A Lápide Sob a Árvore

- Não vai ser nem um pouco difícil provar que esse livro era da Bia, atleta. - Disse João enquanto o suspeito à sua frente parecia estar em conflito consigo mesmo. - Eu entendo, sabe? Você fez tudo certinho. O horário, o tempo... Mas não podia adivinhar que ela ia trazer uma lembrancinha. Então, que tal falar logo onde a menina tá? E aí, quem sabe o juíz considera sua boa ação. - Eu não sei de onde veio esse livro. E não vi nenhuma menininha, inspetor, a não ser essa da capa... - Disse o homem, lançando suas palavras tranquilamente, como num bote que deslizava sobre um sereno lago de argumentos. - ...mas já que o senhor gosta tanto da história, quem sabe você não encontra alguma outra pista ridícula ai dentro, né? E agora, se me dão licença, eu tenho meus horários, e preciso acordar cedo.  João se mostrou surpreso pela resposta. Não pensou que o homem fosse continuar posando de inocente depois de uma prova tão concreta. Ele deveria ter algum trunfo, pensou. Algo... Alguma garantia....

Capítulo NOVE - Brilho Anil

- Bora? Vai subir ou vai ficar aqui pra sempre? - João perguntou enquanto segurava a porta do elevador de serviço depois de ver Paula se aproximando devagar. Eduardo e outros três agentes já haviam subido pelo elevador social. João os pediu que fossem na frente. - Ia subir sem mim, traidor? - Disse Paula, se permitindo entrar enquanto João acompanhava sua silhueta com olhos atentos e famintos. - Claro que não... Você sabe que só sobe com você. - A porta se fechou, e os dois se olharam sorrindo. João apartou o botão "C" e uma voz robótica elegante se pronunciou, anunciando o destino. - Tão tecnológico, e tão fácil de hackear. - A van foi uma boa sacada. Se for verdade. - Ela disse enquanto se aproximava dele.  - É a única explicação. A van interferiu nos sistema. E ao mesmo tempo serviu de distração. Foi brilhante. Eu cheguei a desconfiar da chantagem da moça... A... Giovana. - Disse João tocando as mãos de Paula com as suas, procurando sentir o seu toque macio enquanto ela se...

Capítulo OITO - O Cafezinho.

- Giovana, rapidinho.... - João dirigiu a palavra à moça, enquanto os demais presentes suspeitos reuniam-se à sala. O sol já havia se despedido por trás dos demais prédios que juntos montavam as montanhas artificiais da paisagem. Lá e cá, como vales de concreto, um céu alaranjado era a cicatriz temporária de uma bela, porém triste tarde. - Não é procurando ofender, mas cê pode passar um cafézinho pra gente? Quem vai querer?! Paula balançava a cabeça reprovando a atitude, mas um sorriso típico lhe revelava o senso de humor sombrio, um que só ele sabia acessar. Ela rapidamente se recompôs e ergueu o rosto, arremessando os cabelos negros ondulados por cima do ombro, e ele, como sempre, reparoue se perdeu naquela graça por um breve momento. - Cafezinho? Mas num momento desses o senhor pede um cafezinho!? - A própria Giovana se mostrou relutante e ofendida. - Acontece que o inspetor João acabou de obter uma informação precisíssima, - Eduardo intercedeu quando João, após questionado pela inc...

Capítulo SETE - A Ligação

- Não combina esse fim de tarde com essa tua cara triste... - Disse Paula enquanto a brisa acariciava seus rostos na varanda.  - Combina demais. Eu acho que tem tudo a ver... Já já o sol se põe, e fica aquela sensação péssima de fim de tarde. Só falta alguém ligar a TV no Faustão pra ser o golpe de misericórdia. - João respondeu. - João? - Era o colega novamente. Trouxe uma água gelada de garrafa. Eduardo e João nunca foram amigos, no que diz respeito à intimidade. Mas Luz entendia os motivos que isolavam o companheiro, e ele arriscou uma abordagem mais solidária. - Tá tudo bem ai? Pegando vento? João encarava a paisagem, e era como se procurasse seu racioncínio pelos prédios e pelas árvores, e até mesmo pelo mar, que podia ser visto brevemente entre um edifício e outro. - Tá tranquilo, cara. Às vezes bate uma saudade, e eu preciso parar e pensar em outra coisa. - Disse João. - Sei... Quer uma água? - O que mais ele ia falar? Como é que alguém que ainda tinha tudo poderia sequer te...

Capítulo SEIS - A Babá

- Nada ainda? - Paula perguntou enquanto lutava contra o tédio ao balcão americano que separava a cozinha da copa. João estava passando a vista pelas anotações dos pais e dos tios. Luciana, que se atrasou ao repassar algumas informações ao agente encarregado de monitar a garagem do condomínio, não conseguia se concentrar o suficiente. Estava trêmula, pálida, e à beira de um colapso.  - O problema é justamente que tem muitos detalhes. A mãe administra um instituto de idiomas, o que explica a filha ter mais em comum com os vizinhos. O pai é um empresário genérico. Vice-diretor aqui, gerente sênior ali, ações, esquema de pirâmide...  - Esquema de pirâmide?  - Ele colocou aqui olha só... Membro Diamante na empresa de recursos Get Rych Easy . Até onde eu sei, é aquela empresa fraudulenta que o Fontenelle tá investigando. Lembra? Tem dinheiro pra caramba nesse esquema. Mas enfim, nada demais. Os tios me intrigam. Carlos e Luciana são multi empreendedores. Doze franquias em 3 sh...

Capítulo CINCO - Pais e Tios

- Percebe-se que a senhora está muito abalada, senhora Valente. - Disse João. A sua voz era calma e profundamente gentil. O seu instinto nada lhe dizia sobre a mãe de Beatriz, porém, apesar de não eliminar a possibilidade de que ela fosse uma suspeita, ele procurou tratá-la como uma vítima. - Eu sei que nada do que eu falar ou perguntar parecerá importante pra senhora, mas pra nós podem ser informações preciosas. - Ele disse ao voltar o rosto para Paula, que permanecia quieta ao lado de Larissa Valente, a mãe de Beatriz. - Eu entendo. - A mulher disse entre um soluço e outro. - O que você quer saber? Eu quero ajudar como puder. - Bom... A Bia tinha amigos no condomínio? Pais de amiguinhos? Inimigos? - A Bia? - Larissa respondeu quase que sorrindo. - Todo mundo do prédio era mais próximo dela do que eu. Ela sempre brinca com todo mundo. Ela era assim, sabe? Muito amiguinha de todo mundo.  - Amiguinha demais, né? - Interrompeu César Valente. A figura paterna. Alto, forte. Imponente. ...