Capítulo CINCO - Pais e Tios
- Percebe-se que a senhora está muito abalada, senhora Valente. - Disse João. A sua voz era calma e profundamente gentil. O seu instinto nada lhe dizia sobre a mãe de Beatriz, porém, apesar de não eliminar a possibilidade de que ela fosse uma suspeita, ele procurou tratá-la como uma vítima. - Eu sei que nada do que eu falar ou perguntar parecerá importante pra senhora, mas pra nós podem ser informações preciosas. - Ele disse ao voltar o rosto para Paula, que permanecia quieta ao lado de Larissa Valente, a mãe de Beatriz.
- Eu entendo. - A mulher disse entre um soluço e outro. - O que você quer saber? Eu quero ajudar como puder.
- Bom... A Bia tinha amigos no condomínio? Pais de amiguinhos? Inimigos?
- A Bia? - Larissa respondeu quase que sorrindo. - Todo mundo do prédio era mais próximo dela do que eu. Ela sempre brinca com todo mundo. Ela era assim, sabe? Muito amiguinha de todo mundo.
- Amiguinha demais, né? - Interrompeu César Valente. A figura paterna. Alto, forte. Imponente. João olhou pra Paula e ela fechou os olhos por um segundo. Pois é, se dependesse do pai, ele tirava todo mundo do apartamento e achava a filha sozinho. Ou pelo menos é o que ele quer que pensem. Mas projetar uma imagem falsa não é fácil. E projetar uma imagem negativa seria burrice. A menos que fizesse parte do plano.
- O senhor não aprova das amizades da Bia? - João perguntou.
- A Larissa acha lindo a menina brincar com todo mundo. Entrar na piscina com o casal gay do 18o andar. Brincar com a filha da Giovanna no térreo. Se dar bem é uma coisa, né? Se misturar é outra. - Sentado, com os olhos vermelhos, seja por fúria ou tristeza, Cézar era um tanque prestes a explodir. Não conseguia olhar ninguém nos olhos. Nem parecia que estava num quarto com outras quatro pessoas.
- Giovanna é a babá, senhor Valente? Ela trazia a filha? Regularmente? - Perguntou o inspetor Luz.
De repente, a porta da suíte se abriu, e um homem elegante adentrou o quarto acompanhado por uma agente. Cézar olhou para o intruso com alegria. Larissa com desdém. João, Paula, e Luz em descrença com tamanha ousadia.
- Ele insistiu pra entrar. Disse que era da família. - Disse a agente.
- Cézar! Larissa! Pelo amor de Deus! Que houve aqui? - O homem se aproximou dos dois, sentados na cama, e os abraçou em conjunto. - A Luciana tá vindo aí, precisou estacionar o carro.
- O senhor, quem é? - Perguntou João, comido pela antipatia. Quem poderia ser o riquinho babaca, se não o tio metido a herói?
- Giovanna é a babá, senhor Valente? Ela trazia a filha? Regularmente? - Perguntou o inspetor Luz.
De repente, a porta da suíte se abriu, e um homem elegante adentrou o quarto acompanhado por uma agente. Cézar olhou para o intruso com alegria. Larissa com desdém. João, Paula, e Luz em descrença com tamanha ousadia.
- Ele insistiu pra entrar. Disse que era da família. - Disse a agente.
- Cézar! Larissa! Pelo amor de Deus! Que houve aqui? - O homem se aproximou dos dois, sentados na cama, e os abraçou em conjunto. - A Luciana tá vindo aí, precisou estacionar o carro.
- O senhor, quem é? - Perguntou João, comido pela antipatia. Quem poderia ser o riquinho babaca, se não o tio metido a herói?
- Eu sou irmão do Cézar... Carlos Valente! Desculpa a intromissão, senhor. Eu vim assim que o Cézar ligou! O que eu puder fazer pra ajudar, viu...
- Pode começar ficando calado. - Disse Eduardo. - E Luciana, é a sua esposa?
- Namorada. Noiva! Minha noiva. Ela gosta muito da Bia. Com certeza vai poder ajudar de algum jeito.
- Sei... - João falou, ponderando o caderninho. - É o seguinte... Eu andei trocando uma ideia com meu amigo aqui, inspetor Luz, e eu aposto que a Bia ainda tá nesse prédio. Então vocês três, ou quatro, depois que a sua namorada noiva resolver chegar, vão anotar aqui nesse papelzinho todo buraco que ela possa estar escondida. Todo vizinho que um dia olhou estranho pra ela. Fui claro?
- Mas um vizinho? Um buraco? As câmeras iam--
- Fui claro? - João atropelou a fala de Carlos tão calmamente quanto uma onda bate contra as pedras da praia. - Aproveitem e coloquem também tudo sobre vocês. Horários, rotinas, empregos, bicos, amantes, dieta... Tudo. Tudo.
- Pode começar ficando calado. - Disse Eduardo. - E Luciana, é a sua esposa?
- Namorada. Noiva! Minha noiva. Ela gosta muito da Bia. Com certeza vai poder ajudar de algum jeito.
- Sei... - João falou, ponderando o caderninho. - É o seguinte... Eu andei trocando uma ideia com meu amigo aqui, inspetor Luz, e eu aposto que a Bia ainda tá nesse prédio. Então vocês três, ou quatro, depois que a sua namorada noiva resolver chegar, vão anotar aqui nesse papelzinho todo buraco que ela possa estar escondida. Todo vizinho que um dia olhou estranho pra ela. Fui claro?
- Mas um vizinho? Um buraco? As câmeras iam--
- Fui claro? - João atropelou a fala de Carlos tão calmamente quanto uma onda bate contra as pedras da praia. - Aproveitem e coloquem também tudo sobre vocês. Horários, rotinas, empregos, bicos, amantes, dieta... Tudo. Tudo.
- Calma ai... - Cézar se levantou bruscamente, encarando os olhos de João como quem buscasse uma alma lá dentro. Paula permaneceu sentada, apesar de nitidamente afetada pelo gesto. - Anotar nossas rotina pra que? O senhor tá achando que eu sumi com a minha filha? Quem alguém aqui sumiu com a Bia? Que porra de palhaçada é essa? A gente agora é suspeito, por acaso?
João olhou pro lado. Soltou aquele olhar, que beliscou os olhos de Paula. Depois voltou o olhar novamente para o tanque de emoções à sua frente.
João olhou pro lado. Soltou aquele olhar, que beliscou os olhos de Paula. Depois voltou o olhar novamente para o tanque de emoções à sua frente.
- Os principais.
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