Capítulo NOVE - Brilho Anil
- Bora? Vai subir ou vai ficar aqui pra sempre? - João perguntou enquanto segurava a porta do elevador de serviço depois de ver Paula se aproximando devagar. Eduardo e outros três agentes já haviam subido pelo elevador social. João os pediu que fossem na frente.
- Ia subir sem mim, traidor? - Disse Paula, se permitindo entrar enquanto João acompanhava sua silhueta com olhos atentos e famintos.
Alguns momentos depois do achado, os três desceram as escadas espirais, e João tomou a frente. Eduardo ainda conduzia uma busca, mas nada significante foi encontrado.
- Nada?! - Questionou João, genuinamente surpreso.
- Nada... Não tem ninguém aqui. - Respondeu Eduardo, nitidamente decepcionado.
- Ia subir sem mim, traidor? - Disse Paula, se permitindo entrar enquanto João acompanhava sua silhueta com olhos atentos e famintos.
- Claro que não... Você sabe que só sobe com você. - A porta se fechou, e os dois se olharam sorrindo. João apartou o botão "C" e uma voz robótica elegante se pronunciou, anunciando o destino. - Tão tecnológico, e tão fácil de hackear.
- A van foi uma boa sacada. Se for verdade. - Ela disse enquanto se aproximava dele.
- É a única explicação. A van interferiu nos sistema. E ao mesmo tempo serviu de distração. Foi brilhante. Eu cheguei a desconfiar da chantagem da moça... A... Giovana. - Disse João tocando as mãos de Paula com as suas, procurando sentir o seu toque macio enquanto ela se aproximava seu corpo ao dele.
- Ela está terrivelmente apaixonada, né... Parece alguém que eu conhecia.
- Apaixonada? Ela? - Indagou Trincado. Intoxicado pela proximade sedutora da parceira.
- Ela está terrivelmente apaixonada, né... Parece alguém que eu conhecia.
- Apaixonada? Ela? - Indagou Trincado. Intoxicado pela proximade sedutora da parceira.
- Ela é o caso da mãe, meu bem. Você não percebeu? Homens... Nem todo romance precisa de um pau.
- Nunca ouvi reclamações. - Disse João mergulhando seu olhar no dela, enquanto aqueles olhos castanhos delineados quase que divinamente o convidavam pra dentro....
- Nunca ouvi reclamações. - Disse João mergulhando seu olhar no dela, enquanto aqueles olhos castanhos delineados quase que divinamente o convidavam pra dentro....
... PLIM...
A porta abriu-se e Eduardo apareceu do outro lado.
- João, você podia me adiantar, né? Por que começar pela cobertura?
- João, você podia me adiantar, né? Por que começar pela cobertura?
- Os mandatos chegaram? - Perguntou João.
- Tão aqui comigo. - Confirmou Eduardo.
- Você é dono de uma construtora internacional. Você mora num dos prédios mais luxuosos da sua construtora. Qual apartamento você pega? O térreo, ou a cobertura? - Perguntou Trincado.
- Ele é inquilino? Tem certeza? - Questionou Eduardo. - Não foi mencionado pela família!
- Não foi mencionado porque só o sequestrador sabe disso. E se ele, sendo meu suspeito, revelasse isso, eu viria correndo pra cá, como estamos fazendo agora. A menina tá ai dentro. Vai por mim. - E assim a conversa se encerrou com a mão pesada de João batendo contra a porta do apartamento.
- Campainha, João! João... Campainha! - Disse Paula. João virou os olhos, e escondeu um sorriso apaixonado.
- Campainha, João! João... Campainha! - Disse Paula. João virou os olhos, e escondeu um sorriso apaixonado.
Um homem alto e de porte atlético abriu a porta e os desejou boa noite. Eduardo se apresentou novamente, como havia feito mais cedo, e desta vez apresentou o mandato anteriormente exigido pelo inquilino.
- Nesse caso, entrem. Sejam bem vindos. Desculpem a bagunça. - Disse Renato Cegonha enquanto abria espaço para que os agentes e os detetives entrassem no apartamento.
- Nesse caso, entrem. Sejam bem vindos. Desculpem a bagunça. - Disse Renato Cegonha enquanto abria espaço para que os agentes e os detetives entrassem no apartamento.
- João... - Disse Eduardo após alguns poucos segundos.
- Diz - João falou de volta enquanto olhava a sala de estar por cima.
- Diz - João falou de volta enquanto olhava a sala de estar por cima.
- São dois andares. Você olha em cima com o agente Costa? - Eduardo perguntou enquanto estudava uma escada aspiral que subia para um segundo andar.
- Claro! Mas deixa alguém de olho no atleta. E cuidado. Olho aberto.
Paula, João, e o agente Costa subiram as escadas, e se deparam com um ambiente diferente. Um vão muito bem decorado, com uma belíssima mesa de sinuca posiciada ao centro, enquanto que para o lado adjacente direito, cercado por um forte corrimão de aço, havia um deck com uma piscina circular que podia ser vista ao lado de uma churrasqueira construída de forma artesanal. Ao fundo, na outra face da mesa, uma porta podia ser vista e à sua diagonal, um pequeno bar repleto de bebidas. O alto e largo espelho que ficava entre o bar e a entrada para o deck refletia belamente o jogo de luzes que iluminavam a sala, realçando o vermelho da mesa.
- Claro! Mas deixa alguém de olho no atleta. E cuidado. Olho aberto.
Paula, João, e o agente Costa subiram as escadas, e se deparam com um ambiente diferente. Um vão muito bem decorado, com uma belíssima mesa de sinuca posiciada ao centro, enquanto que para o lado adjacente direito, cercado por um forte corrimão de aço, havia um deck com uma piscina circular que podia ser vista ao lado de uma churrasqueira construída de forma artesanal. Ao fundo, na outra face da mesa, uma porta podia ser vista e à sua diagonal, um pequeno bar repleto de bebidas. O alto e largo espelho que ficava entre o bar e a entrada para o deck refletia belamente o jogo de luzes que iluminavam a sala, realçando o vermelho da mesa.
- Era um espelho desses que eu queria pro nosso quarto, olha só... - Sussurrou Paula.
- Esquece o luxo. De olho no incomum. - Disse João.
O agente Costa cuidadosamente abriu a porta que estava à diagonal do bar. Era apenas um quarto de hóspedes. Um armário embutido, e uma janela na parede direita. João e Paula conferiam o deck, olhando atentamente pra a piscina e seus arredores, repletos de vasos ocupados por plantas mortas.
- Liga a luz da piscina, João. Não dá pra ver o que tem no fundo. - Disse Paula.
- Eu não sei onde fica. Onde fica o interruptor desse caralho?
- Você sabe sim! Esse deck é parecido com o deck do seu amigo Neto! Procura por uma tábua folgada na madeira do piso. Vai logo.
- Achei..! - Disse João enquanto acionava o sistema elétrico da piscina. A luz anil piscou três vezes antes de iluminar o ambiente quase que por completo, e Paula viu que não havia nada no fundo. A água, apesar de plácida, dançava conforme a suavidade da brisa, tirando assim a timidez da luz, que se encostava pelos cantos... Nas paredes... Nos vasos... Nos reflexos metálicos que ele pensava ter visto em baixo do deck.
- Que é isso? Em baixo do seu pé, olha aí! - Falou Paula do outro lado da piscina, enquanto apontava. João abaixou o rosto e procurou por algo incomum.
- Encontrou algo, inspetor? - Indagou Costa.
- Tem um troço ali em baixo, olha só... Viu? Tá refletindo a luz. Quebra essa madeira ai, vai. Taca o pau, vai. Vai! - Ordenou João.
- Inspetor, isso é propriedade do ...
- Macho, pelo amor de Deus... - João então empurrou levemente o rapaz para o lado e pisou fortemente sobre a madeira do deck até que a mesma se partiu. Desceu a mão em direção ao brilho e então...
...
- Liga a luz da piscina, João. Não dá pra ver o que tem no fundo. - Disse Paula.
- Eu não sei onde fica. Onde fica o interruptor desse caralho?
- Você sabe sim! Esse deck é parecido com o deck do seu amigo Neto! Procura por uma tábua folgada na madeira do piso. Vai logo.
- Achei..! - Disse João enquanto acionava o sistema elétrico da piscina. A luz anil piscou três vezes antes de iluminar o ambiente quase que por completo, e Paula viu que não havia nada no fundo. A água, apesar de plácida, dançava conforme a suavidade da brisa, tirando assim a timidez da luz, que se encostava pelos cantos... Nas paredes... Nos vasos... Nos reflexos metálicos que ele pensava ter visto em baixo do deck.
- Que é isso? Em baixo do seu pé, olha aí! - Falou Paula do outro lado da piscina, enquanto apontava. João abaixou o rosto e procurou por algo incomum.
- Encontrou algo, inspetor? - Indagou Costa.
- Tem um troço ali em baixo, olha só... Viu? Tá refletindo a luz. Quebra essa madeira ai, vai. Taca o pau, vai. Vai! - Ordenou João.
- Inspetor, isso é propriedade do ...
- Macho, pelo amor de Deus... - João então empurrou levemente o rapaz para o lado e pisou fortemente sobre a madeira do deck até que a mesma se partiu. Desceu a mão em direção ao brilho e então...
...
Alguns momentos depois do achado, os três desceram as escadas espirais, e João tomou a frente. Eduardo ainda conduzia uma busca, mas nada significante foi encontrado.
- Nada?! - Questionou João, genuinamente surpreso.
- Nada... Não tem ninguém aqui. - Respondeu Eduardo, nitidamente decepcionado.
Trincado voltou o rosto para Costa e Paula, e pensou ter visto um resquício da vontade de sorrir impressa sobre o rosto do inquilino... Profundamente, em seu interior, João sabia que ele era o culpado, ou pelo menos um deles.
- Senhor... Eduardo, correto? - Perguntou João.
- Exatamente. - Respondeu o homem, sentado à mesa da cozinha, de pernas cruzadas.
- Cadê a menina?
- Quem...?
João então respirou fundo. Não podia se deixar abalar... Não agora que sabia estar tão próximo.
- O senhor me parece bem em forma. - Disse Trincado. - Qual esporte pratica? Natação? Corrida? Rapel...?
- Senhor... Eduardo, correto? - Perguntou João.
- Exatamente. - Respondeu o homem, sentado à mesa da cozinha, de pernas cruzadas.
- Cadê a menina?
- Quem...?
João então respirou fundo. Não podia se deixar abalar... Não agora que sabia estar tão próximo.
- O senhor me parece bem em forma. - Disse Trincado. - Qual esporte pratica? Natação? Corrida? Rapel...?
- Eu corro muito, sim. Todos os dias. Mas não faço rapel, não.
- Nunca?
- Eu tenho medo de altura, inspetor. Pavor. - Era quase tangível que lhe escorria os lábios enquanto sorria, brincando com João.
- Sei, é igual a mim, então! - Disse João, estampando um sorriso tão sincero quanto um político. - Morro de medo de meter a mão na na cara de quem mente sorrindo!
- João... - Eduardo, assim como todos, sentiu a necessidade de alertar o amigo.
- Não, tudo bem... Tô bem, pô... É só uma coceira aqui na palma da mão. - Respondeu João.
- Eu acho que vocês já podem se retirar do meu apartamento. Afinal, como todo mundo viu, eu não tenho nada a esconder. - Disse Renato.
- Só mais uma coisa, senhor Renato... - Continuou João, sentando-se numa das cadeiras, bem de frente com o suspeito. - Você gosta de ler?
- Como é?
- LER... - João respondeu lentamente, quase forçando as sílabas a nadarem naquele mar de deboche. - Você gosta? De ler?
Renato não respondeu de imediato. Observou bem o semblante do inspetor. Que tipo de pergunta era aquela? E o que ele pretendia com ela?
- Eu leio às vezes. Uma coisa ou outra. - Disse Renato, cauteloso... Guiava as palavras por um lago de gelo fino.
- Foi o que eu pensei... - Disse o inspetor enquanto puxava um pequeno saco plástico de coleta com um objeto fino e retangular dentro. - ...quando eu vi esse livrinho em miniatura de uma coleção de livros raros...! - João então levantou o objeto, ainda dentro do saco de coleta, e desta vez foi possível ver os desenhos impressos na capa logo acima do nome Lewis Caroll; as folhas cujas laterais eram cobertas por um briho dourado; e até mesmo o título em alto relevo... "Alice no País das Maravilhas.". - Foi então que João e os demais puderam ver o semblante do atleta mudar do vinho para a água. O encanto e a arrogância lhe escorreram rosto abaixo. - Fascinante, né, Renato? Eu até gosto dessa historinha, sabia?E sabe o que mais, eu aposto que você nem lembra onde tinha deixado cair, né?
- Nunca?
- Eu tenho medo de altura, inspetor. Pavor. - Era quase tangível que lhe escorria os lábios enquanto sorria, brincando com João.
- Sei, é igual a mim, então! - Disse João, estampando um sorriso tão sincero quanto um político. - Morro de medo de meter a mão na na cara de quem mente sorrindo!
- João... - Eduardo, assim como todos, sentiu a necessidade de alertar o amigo.
- Não, tudo bem... Tô bem, pô... É só uma coceira aqui na palma da mão. - Respondeu João.
- Eu acho que vocês já podem se retirar do meu apartamento. Afinal, como todo mundo viu, eu não tenho nada a esconder. - Disse Renato.
- Só mais uma coisa, senhor Renato... - Continuou João, sentando-se numa das cadeiras, bem de frente com o suspeito. - Você gosta de ler?
- Como é?
- LER... - João respondeu lentamente, quase forçando as sílabas a nadarem naquele mar de deboche. - Você gosta? De ler?
Renato não respondeu de imediato. Observou bem o semblante do inspetor. Que tipo de pergunta era aquela? E o que ele pretendia com ela?
- Eu leio às vezes. Uma coisa ou outra. - Disse Renato, cauteloso... Guiava as palavras por um lago de gelo fino.
- Foi o que eu pensei... - Disse o inspetor enquanto puxava um pequeno saco plástico de coleta com um objeto fino e retangular dentro. - ...quando eu vi esse livrinho em miniatura de uma coleção de livros raros...! - João então levantou o objeto, ainda dentro do saco de coleta, e desta vez foi possível ver os desenhos impressos na capa logo acima do nome Lewis Caroll; as folhas cujas laterais eram cobertas por um briho dourado; e até mesmo o título em alto relevo... "Alice no País das Maravilhas.". - Foi então que João e os demais puderam ver o semblante do atleta mudar do vinho para a água. O encanto e a arrogância lhe escorreram rosto abaixo. - Fascinante, né, Renato? Eu até gosto dessa historinha, sabia?E sabe o que mais, eu aposto que você nem lembra onde tinha deixado cair, né?
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