Capítulo SETE - A Ligação
- Não combina esse fim de tarde com essa tua cara triste... - Disse Paula enquanto a brisa acariciava seus rostos na varanda.
- Combina demais. Eu acho que tem tudo a ver... Já já o sol se põe, e fica aquela sensação péssima de fim de tarde. Só falta alguém ligar a TV no Faustão pra ser o golpe de misericórdia. - João respondeu.
- João? - Era o colega novamente. Trouxe uma água gelada de garrafa. Eduardo e João nunca foram amigos, no que diz respeito à intimidade. Mas Luz entendia os motivos que isolavam o companheiro, e ele arriscou uma abordagem mais solidária. - Tá tudo bem ai? Pegando vento?
- Isso. É o caso do Sr. Renato Cegonha, da cobertura, do casal Igor e Joel Ventura, do 18o andar, e da Sra. Maria Júlia, do 3o andar. - Eduardo falava enquanto João conferia
- Assim que chegar o mandato, a agente vai em cada um. A menina só pode estar num deles. É a única alternativa... É a única possibilidade lógica. - Disse João.
- Combina demais. Eu acho que tem tudo a ver... Já já o sol se põe, e fica aquela sensação péssima de fim de tarde. Só falta alguém ligar a TV no Faustão pra ser o golpe de misericórdia. - João respondeu.
- João? - Era o colega novamente. Trouxe uma água gelada de garrafa. Eduardo e João nunca foram amigos, no que diz respeito à intimidade. Mas Luz entendia os motivos que isolavam o companheiro, e ele arriscou uma abordagem mais solidária. - Tá tudo bem ai? Pegando vento?
João encarava a paisagem, e era como se procurasse seu racioncínio pelos prédios e pelas árvores, e até mesmo pelo mar, que podia ser visto brevemente entre um edifício e outro.
- Tá tranquilo, cara. Às vezes bate uma saudade, e eu preciso parar e pensar em outra coisa. - Disse João.
- Sei... Quer uma água? - O que mais ele ia falar? Como é que alguém que ainda tinha tudo poderia sequer tentar consolar alguém que tudo perdeu? Com quais palavras?
- Rapaz, você leu a minha mente, Charles. - Nem era sede. Era um favor. Aceitar aquela água era uma gentileza. Enquanto o colega lhe servia um copo, João perguntou sobre o mandato de busca, que já deveria ter chegado.
- Já já. O juiz assinou há pouco tempo.
- Quantos apartamentos não deixaram a equipe entrar? - João perguntou.
- Quantos apartamentos não deixaram a equipe entrar? - João perguntou.
- Só três. O resto colaborou de boa.
- Tá com a lista dos inquilinos ai? Posso ver?
- Já mandei pro teu whatsapp. Não viu, não?
- Eu te silenciei, otário. Sabia não? Pera aí... Vou olhar aqui. Trincado tirou o smartphone do bolso, e acessou o arquivo enviado pelo amigo. - São esses de amarelo, é?
- Tá com a lista dos inquilinos ai? Posso ver?
- Já mandei pro teu whatsapp. Não viu, não?
- Eu te silenciei, otário. Sabia não? Pera aí... Vou olhar aqui. Trincado tirou o smartphone do bolso, e acessou o arquivo enviado pelo amigo. - São esses de amarelo, é?
- Isso. É o caso do Sr. Renato Cegonha, da cobertura, do casal Igor e Joel Ventura, do 18o andar, e da Sra. Maria Júlia, do 3o andar. - Eduardo falava enquanto João conferia
- Assim que chegar o mandato, a agente vai em cada um. A menina só pode estar num deles. É a única alternativa... É a única possibilidade lógica. - Disse João.
- Inspetores? - Um dos agentes de campo os interrompeu à varanda. Ele trazia consigo um celular. - Acho que deveriam atender...
- Quem é?! - Com olhos esbugalhados, João tomou o celular da mão do rapaz e o perguntou em baixo tom.
- Quem é?! - Com olhos esbugalhados, João tomou o celular da mão do rapaz e o perguntou em baixo tom.
- Parece que é da construtora! A ligação é internacional. - Respondeu o rapaz.
- Dá pro Eduardo, João... Ele é o encarregado, lembra? - Disse Paula, repousando a mão no braço de João.
- Eduardo... - Disse Trincado. - Desculpe ter tomado o celular assim... A ligação é sua. Eu me exaltei.
Eduardo então, com o celular em mãos, iniciou a conversa inesperada.
- Inspetor Eduardo Luz, pois não?
Do outro lado da linha, uma voz rouca e velha, armada da mais pura arrogância social, atacou o inspetor sobre o mais incompreensível dos sotaques.
- Inspetór Lúz, ê? Aquí é Jean Marchand! Meuzádvogáds mé dizéar que têim políss em toda meu prédio. Pur quê?! Que acuntecéu?!
- Sr. Marchand! Buscamos contato com o senhor desde manhã! Houve um sequestro! - Eduardo, inconscientemente berrava ao aparelho, quase como se tentasse fazer que um surdo o entendesse. Paula e João entreolhavam-se enquanto sofriam pela vergonha alheia.
- Uma sequééstro?! Nôô! Ma petite-fille?!
- Como? Não entendi! - Eduardo gritou mais alto ainda.
- O que é que ele tá falando? - João buscou entender o motivo dos berros.
- Ma petite-fille?! Biatrizz Valent?! Ela ér mia neta!!! Mia neta!
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